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Outras Actividades
Derivas Artísticas - Programa de Actividades Pegagógicas
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ARTE COMO FAROL 2017

Formador: Juan Luis Toboso
Escola: Escola Secundária José Régio, Vila do Conde
Professora: Carolina Morgado

Descrição da actividade
Este programa parte da ideia da arte como elemento que  tal como um farol  nos ajuda a encontrar o nosso lugar. Aponta caminhos e fortalece escolhas. Torna visível  ilumina  o que frequentemente não vemos  seja o que está dentro de nós  ao nosso lado ou nas profundezas da história da humanidade.

Começa-se por fazer uma aproximação à arte contemporânea. Explora-se a arte como meio de aproximação ao conhecimento da complexidade humana e como instrumento para reconhecermos questões que permanecem ao longo dos tempos e em geografias e culturas diversas. Estes encontros estabelecem também aproximações à história da arte  do passado aos nossos dias  e andam de cá para lá e de lá para cá entre a história coletiva e a história de cada um de nós  entre a macro e a micro história. Este programa destina-se a turmas de ensino secundário. O formador desta actividade será Juan Luis Toboso.

A formação leccionada por Juan Luis Toboso
A arte como forma de conhecimento  organiza-se em três módulos que se desenvolvem particularmente em torno dos seguintes temas  - O encontro com as obras de arte. - Entre o presente  o passado e o presente - Entre as histórias coletivas e as histórias individuais Estes temas estarão interligados e presentes ao longo da formação mas serão à vez alvo de maior atenção e incidência. Viajamos pelas histórias da arte  entre o presente  o passado e o presente  e descobrimos  umas vezes  e confirmamos  outras  de que modo a arte ajuda ao conhecimento de cada um de nós e das histórias da humanidade. Nesta viagem cruzam-se imagens  textos  músicas  excertos de filmes e documentários.

Objetivos Gerais
Explorar diferentes momentos de aproximação à arte - Reconhecer o potencial dos processos de descrição na interpretação e compreensão da obra de arte - Perceber que o encontro com o objeto artístico é individual e singular - Problematizar o conceito de arte - Reconhecer que a ideia de arte é mutável e complexa e se constrói entre permanências e mudanças - Verificar que o conhecimento do passado pode ajudar a tornar mais nítido o presente e que a ligação à contemporaneidade pode estimular a curiosidade e a compreensão do passado - Reconhecer o potencial da arte no conhecimento e revelação das histórias coletivas e das histórias individuais.

Calendário


ABRIL A JUNHO 2017
Turmas: 2 turmas do 11º ano de Humanidades

3 e 24 de Abril
8 de Maio
5 de Junho
08h30-10h30 / 14h30-16h30

NOVEMBRO 2017 - FEVEREIRO 2018
Turma: 10º ano de Humanidades

17 de Novembro 2017
15 de Dezembro 2017
12 de Janeiro 2018
2 de Fevereiro 2018
08h30-10h30

Biografia
Juan Toboso Investigador e docente no contexto da Arte Contemporânea. Nasceu em 1980 em Valência  Espanha e actualmente reside no Porto  Portugal. Doutor pela Faculdade de Belas Artes da Universidade Politécnica de Valencia. No campo da produção cultural tem colaborado com diferentes instituições como o Museu de Arte Contemporânea de Serralves  a Fundação Calouste Gulbenkian e o programa de Arte e Arquitectura da Capital Europeia da Cultura  Guimarães 2012. Desde 2004 é membro de vários grupos de investigação universitários como na UPV  de Valencia  e a UFRGS em Porto Alegre Brasil  para o desenvolvimento de projectos de cooperação internacional  baseados na criação de núcleos de pensamento em torno de novos processos contemporâneos de criação artística  bem como na investigação de novos territórios na produção  crítica e difusão das artes plásticas. Tem desenvolvido diferentes projectos de investigação e curadoria no contexto das artes visuais é professor na Escola Superior Artistica do Porto e actualmente é o curador em residência do Centre de Cultura Contemporânea del Carme.




FORMAÇÃO DE DANÇA

Formadora: Joana von Mayer Trindade
Escola: Escola Secundária José Régio, Vila do Conde
Professora: Guia do Carmo
Turma: 11º ano do curso Científico-Humanístico de Línguas e Humanidades

Apresentação  do projecto
O projeto teve inicio com uma residência de curta duração de 8 a 12 de Junho 2017 em Vila do Conde. Durante esta residência pretendeu-se uma vivência de campo e estudo do território Vilacondense. Através de visitas a edifícios emblemáticos da cidade:  Casa Museu José Régio, Casa Antero Quental, Museu das Rendas de Bilros, Museu da Construção Naval, Estaleiros Navais, Convento de Santa Clara, Igreja Matriz, Capela da Nossa Srª do Socorro. Simultaneamente, antes durante e depois deste período da residência, a investigação de personalidades que ou naturais de Vila do Conde como o pintor Júlio Maria dos Reis Pereira ou que aí viveram durante um período marcante da sua vida como o casal de pintores Robert Delaunay e Sonia Delaunay, sejam inspiradoras para o processo. Pretende-se igualmente durante a residência e em momentos subsequentes manter ativo um contato presencial com as gentes de Vila do Conde nos locais em que estas se reúnem preferencialmente, sendo o mercado semanal, por exemplo, um ponto de relevo.

Após esta fase de investigação e de levantamento de temáticas será essencial a escolha de um tema unificado em conjunto com os participantes (alunos da escola) que se deverá desenvolver e materializar numa acção de formação de dança no âmbito do ensino secundário artístico de Vila do Conde, de frequência semanal. A formação terá inicio em Novembro 2017 e pretende-se que até ao final de Março de 2018, numa data a selecionar, se realize um momento de partilha dos processos e dos resultados levados a cabo durante esta acção de formação, com a presença de todos os participantes e convidados. 


Objetivos Gerais
Um dos objectivos principais desta acção será relacionar os participantes com um tema forte da sua cidade, potenciando relações outras pela via da dança com o tema em questão. Propiciando uma oportunidade real para o desenvolvimento e o acesso a uma formação de teor cultural que exija o aplicar de ferramentas criativas artísticas desenvolvendo competências psico- corporais, cognitivas e sociais e promovendo o exercício de uma cidadania plena.  Um dos focos centrais deste projeto será assim a descoberta de uma relação válida entre a arte e a vida, no contexto local e pessoal, mas que não se esgote nestes.Joana von Mayer Trindade


Bibliografia
Fundação Calouste Gulbenkian (1992). Educação pela Arte - Pensar o Futuro
Gough, M. (1993). In touch with dance. Whitethorn Books
Leese S.& Packer M. (1980). Dance in Schools.
Preston-Dunlop, V. (1980). A Handbook for Dance in Education. Longman.

Calendário
16 e 20 de Novembro 2017
7 e 11 de Dezembro 2017
4, 8, 22 e 25 de Janeiro 2018
8 e 22 de Fevereiro 2018
8 e 12 de Março 2018
15 de Março 2018 [apresentação final]

Biografia
Joana von Mayer Trindade 
Coreógrafa, Performer e Professora. Mestre em SODA Solo/ Dance/ Authorship, Universidade das Artes de Berlin UDK/HZT (2013). Licenciada em Psicologia (Comportamento Desviante) pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (1998). Curso de Interpretes de Dança Contemporânea (1999) e Curso Reciclagem de Monitores de Dança para a Comunidade (2001), Forum Dança. Curso Essais (2006) no CNDC d’Angers | Emmanuelle Huynh (Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian). Fundadora com Hugo Calhim Cristovão da Nuisis Zobop- associação Cultural (2004). Conjuntamente com Hugo Calhim Cristovão no contexto da Nuisis Zobop, cria e interpreta as peças: “She Will Not Live, “VELEDA”, “ZOS (She Will Not Live)”, "O céu é apenas um disfarce azul do inferno" e “Da Insaciabilidade no caso ou ao mesmo tempo um milagre”. Da suaautoriadestaca as peças: “Between Being and Becoming” para a companhia Edge, The Place London, “Installation-Exhibition For All, and For None”, “M E N I N A S”, “NAMELESS NATURES” e “Mysteriumconiunctionis”. Peças apresentadas no Festival Trama/Serralves, Festival Materiais 4 Diversos, PT13 (Plataforma portuguesa de artes performativas/Montemor-o-Novo), ZDB/ Espaço Negócio (Lisboa), Centro Português de Fotografia (Porto), CNDC’Angers (França), CIRCULAR- Festival de Artes Performativas (Vila do Conde), Festival CORPO + CIDADE (Porto), 2ªPlataforma de criadores nacionais emergentes EDN&modul-dance 2014, CAPA/Devir, Teatro Municipal do Porto - RIVOLI, Uferstudios Berlim, entre outros. Enquanto intérprete trabalhou com: Antonio Carallo, Wil Swanson, Paulo Henrique, Olga Roriz, Filipe Viegas, Sónia Baptista, Min Tanaka, Deborah Hay, Ana Clara Guerra Marques, Emmanuelle Huynh, Eric Didry, Danya Hammoud, Colectivo artístico alemão LIGNA (Ole Frahm e Torsten Michaelsen) e Isabelle Schad. Consultora artística (Dramaturgia/Assistência ao Movimento e à Criação) e professora convidada de projetos de: Elizabete Finger, Ana Trincão, Jee-Ae-Lim, Cristina Planas Leitão, Isabel Costa (orientadora de tese de mestrado); Escola Balleteatro, FAAIC- companhia Instável (Formação Avançada em Interpretação e Criação Coreográfica II, IV e V) e Pós- Graduação em Dança Contemporânea pela ESMAE em colaboração com a Câmara Municipal do Porto e do Teatro Municipal do Porto. Foi ainda bolseira do Centro Nacional de Cultura no Japão (2002), onde pesquisou e praticou Butoh com Min Tanaka na Body Weather Farm e Budismo Soto Zen no Zazen Dojo Antai-Ji. Em 2008 viajou durante seis meses pela Índia, onde terminou o “Curso Certificado de Yoga” na Universidade Hindu de Benares em Varanasi e o “Curso de Formação Intensiva de Professores de Yoga” na Fundação Yoga Patanjali em Rishikesh. É autora dos ensaios escritos : “Just a Point. No More, No Less”, “Chaos as an Inevitable Tool for Composition”, “The Cruelty of Creation” e “Truthful Images” no domínio da criação e composição artística em Dança. De 2015 até ao momento presente é artista residente convidada da CIRCULAR - Associação Cultural.



ENCONTROS DERIVAS: O QUE PODE A ARTE? O QUE PODE O CONHECIMENTO? 
26 NOVEMBRO (sáb) 2016 | Centro de Memória, Vila do Conde


10:00-13:00
António Sampaio da Nóvoa (Professor)
Luísa Veloso (Socióloga)


15:00-18:00

Miguel Lobo Antunes (Programador)
Susana Medina (Museóloga)
João Pedro Vaz (Director Artístico do Teatro Oficina)


Programação e coordenação: Magda Henriques

Preço: 5,00 €
- Transferência bancária: IBAN da Circular Associação Cultural - PT50 0033.0000.45314714098.05 | Envio do comprovativo da transferência, com indicação do nome e contacto telefónico para o mail: info@circularfestival.com

Informações: info@circularfestival.com | (+351) 967 490 471


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Os encontros Derivas: O que pode a arte? O que pode o conhecimento? fazem parte do programa de actividades pedagógicas promovido pela Circular Associação Cultural, realizado nos últimos anos em Vila do Conde.
Convidados com formações e experiências variadas foram desafiados a pensar sobre o tema proposto.
Pretende-se aqui reflectir sobre o que pode a arte, o que pode o conhecimento. Queremos que esta reflexão se faça através de múltiplas perspectivas estimuladas por personalidades cujas teorias e gerações trilham caminhos variados.

Porquê a reflexão teórica?
Porque é preciso “imprimir ideias” na sociedade e a reflexão teórica deve contribuir para que as ideias se traduzam, no quotidiano, em práticas individuais e colectivas e ajudem à transformação.
Porque sendo estes encontros de reflexão teórica, os convidados têm como um dos traços comuns o seu pensamento construir-se numa relação com a prática. Guia-nos a afirmação de Hannah Arendt de que “o pensamento emerge dos incidentes da experiência vivida e deve permanecer vinculado a eles como os únicos marcos por onde nos podemos orientar”.
Porque a arte e o conhecimento em geral podem ser faróis particularmente luminosos e potenciadores de salvação, talvez mais evidente e urgentemente necessários em tempos sombrios.
Porque "a rebelião precisa de outra linguagem".
Porque o pensamento e a linguagem podem ser meios de resistência e despertar a vontade e a acção.
Porque bons exemplos precisam-se.
Porque é urgente promover a "rebeldia competente" e a "desobediência crítica".


Para quê a reflexão teórica?
Para procurarmos, em conjunto e através de experiências diversificadas, algumas ideias que nos ajudem a melhorar práticas e a consolidar caminhos, individual e colectivamente.
Para ampliar mundos, porque "este mundo está grávido de outros mundos" que precisam da nossa vontade, do nosso entusiasmo, para nascer.

O que pode a arte? O que pode o conhecimento?
A arte é para nós uma forma de conhecimento mas porque central neste programa distinguimo-la das demais formas de conhecimento.
Propomos esta reflexão com algum embaraço mas ela surge da necessidade de afirmar algumas convicções e reagir contra supostas inevitabilidades e prioridades.
O embaraço, e até tristeza, prende-se com a necessidade de reafirmar aquilo que nos parece uma evidência: o carácter imprescindível da arte, do conhecimento.
A reacção dirige-se contra uma visão dominante do mundo, e que nos querem fazer acreditar como única e fatal, que exige que tudo se traduza em números e que tudo seja mensurável. Onde
tudo tem de ser útil, no sentido mais estrito da palavra, ou seja, prático, objectivo, materialista e utilitarista.
Queremos recordar, e sublinhar, que útil também significa bom, necessário, importante.
E que nem tudo o que é bom, necessário e importante se pode medir e traduzir em números.
Roubamos a imagem da colmeia. Move-nos a necessidade de reforçar o alcance do processo de polinização que, tão ou mais importante que a produção de mel (produção esta visível e quantificável), é difícil ou até impossível de medir sendo, no entanto, determinante para o equilíbrio e sobrevivência da natureza.
Acreditamos pois que a experiência da arte e das múltiplas formas de conhecimento age ao nível mais íntimo de cada um e, tal como no processo de polinização, em tempos e de modos imprevisíveis mas imprescindíveis à construção, consolidação e manutenção dos valores humanos.
A humanidade é demasiado complexa para poder ser reduzida a factos. Se pudéssemos dizer tudo por palavras e números não teríamos sentido necessidade, desde as origens, de encontrarmos outras formas de expressão.


Para muitos, uma das especificidades da arte é a sua inutilidade...
Fernando Pessoa escreveu: “Só a arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes – tudo isso passa.”
António Tabucchi, quando lhe perguntaram para que serve um livro, respondeu que “nesta nossa época em que tudo tem de ser útil, talvez um livro possa ser um objeto inútil mas ao mesmo tempo indispensável.”
Sabemos que a arte e o conhecimento em geral podem contribuir para aprimorar a nossa humanidade. Podem mas não é, de todo, linear que assim seja. George Steiner lembra-nos, tomando o exemplo de oficiais do regime nazi, que ler Shakespeare e ouvir Mozart não impede a barbárie. Sabemos ainda que a arte e o conhecimento em geral podem até aumentar a vaidade, a arrogância e serem usados como instrumentos de humilhação e abuso de poder sobre o outro.
A sabedoria, a delicadeza, a generosidade e a atenção a nós e aos outros, decorrem do que fazemos com a experiência da arte, do
conhecimento... em suma, da vida.
A sabedoria não resulta de um somatório de livros lidos, de espectáculos ou de exposições vistas.
A arte serve mas não é suposto estar ao serviço.
Aferir do poder de trans
formação da arte e do conhecimento, da sua utilidade, implica tempo e nem sempre é objectivável porque estes operam ao nível mais íntimo de cada um e não necessariamente no imediato.
É precis
o parar / É preciso tempo / É preciso silêncio /
É preciso escutar / É preciso atenção / É preciso que o pensamento se construa.. para que possamos agir, sabendo por quê e para quê.

Acreditamos, e constatamos pela nossa experiência, que:
A arte e as ciências são formas de aproximação e exploração do mu
ndo, meios para conhecê-lo.
Através da arte podemos dizer o que as palavras no quotidiano não sabem ou não podem. É frequente os artistas (sejam eles pintores, poeta
s, músicos, etc.) afirmarem, a propósito das suas obras, que as explicações sobre elas são sempre outra coisa e que o que quiseram dizer lá está dito.
Através da arte podemos chegar mais perto da complexidade humana. Aquela complexidade a que os factos, por si só, não nos permite aceder.
A arte pode ser uma forma de alimento, e não nos reconhecemos na opção entre o alimento para o estômago e o alimento para o espírito/ coração. São ambos necessários em proporções justas. Porque morremos de fome mas também morremos de solidão, de tédio e de falta de liberdade. Morremos porque não podemos escolher e onde não existe opção não existe escolha. O conhecimento e a experiência da art
e podem ajudar-nos escolher porque através deles podemos aceder às opções.
Tomando as palavras de Arnaldo Antunes, na sua letra Comida
“A gente não quer só comida / A gente quer comida, / Diversão e arte / A gente quer por inteiro / E não pela metade”

Estes encontros resultam da crença na possibilidade da arte e do conhecimento em geral poderem contribuir para a criação e afirmação de sentidos para a vida porque permitem-nos perceber que muitos caminhos são possíveis e que as nossas inquietações mais profundas são partilhadas.
Poderem ajudar a exercitar o lugar do outro, a estimular a empatia.
Poderem ser meios preciosos
de invenção e ampliação de mundos, de criação e ampliação de mundos, de criação de estranhamento, de combate à apatia.
Poderem representar lugares de amizade, de salvação, de encontro. Poderem ajudar-nos a SER, mais e melhor, não nos deixando esquecer que somos muitos dentro de nós.
Poderem promover o espanto e através dele o pensamento, estimular a busca da verdade, a construção da esperança. Fortalecer a vontade, a coragem, as escolhas, a responsabilidade e a liberdade e, assim, tornar mais pleno o exercício da cidadania, agindo.
Laborinho Lúcio afirmou, a propósito da justiça e da política, que "não devemos voltar as costas a uma convicção pelo facto de estarmos isolados nessa convicção... uma boa derrota numa convicção firme é bastante mais importante do que uma fraca vitória numa convicção frágil".
A arte e o conhecimento podem ainda ajudar a tornar mais firmes as nossas convicç
ões e simultaneamente a reforçar a disponibilidade para reconhecer a convicção do outro.
É preciso assim não desisitr de aceder à arte, ao conhecimento. Reforçar a importância da pedagogia artística no sentido da construção do acesso a uma multiplicidade de escolhas, do acesso à diversidade, para que possamos ser intervenientes e não instrumentos. Como escreveu António Pinto Ribeiro, "Assemelha-se à diferença entre aquele que pôde aprender a ler e o que não pôde, sendo que, para o primeiro, ler o quê, quando, ou como, será sempre uma possibilidade (até a de não ler), enquanto que para o segundo será sempre interdito".
É entre o sentido da realidade e o sentido da possibilidade que nos queremos colocar.
É a possibilidade que nos orienta sem nos afastarmos da experiência vivida.
Move-nos a linha do horizonte. Caminhamos com os pés assentes no chão.

Porque há coisas que não conseguimos guardar só para nós, este é um lugar onde a partilha acontece.
Gostamos de conversar e consideramos esse exercício como uma das mais belas actividades humana
s, porque, como diria Sócrates, "uma conversa séria é a melhor maneira de examinar a vida e de lhe dar sentido". Desejamos pois que a conversa possa aqui fluir.
Gostamos dos encontros imprevisíveis e assim convocamos, nesta deriva pela topografia da arte e do conhecimento, a imagem da esquina como impulso para a imprevisibilidade, o estranhamento, a revelação… de um a outro convidado… de conversa em conversa.

Os encontros Derivas fazem parte do programa de actividades pedagógicas promovido pela Circular Associação Cultural, realizado nos últimos anos em Vila do Conde.
Convidados com formações e experiências variadas foram desafiados a pensar sobre o tema proposto: Para que serve a arte? Para que serve o conhecimento?
Numa primeira fase, entre 2009 e 2012, um de cada vez apresentou as suas reflexões e conversou com o público. Foram nossos convidados: Valter Hugo Mãe, Tolentino de Mendonça, Alberto Carneiro, Frei Bento Domingues, Carlos Fiolhais, Álvaro Laborinho Lúcio, Miguel Bonneville, António Pinto Ribeiro, António Júlio, Cristina Grande, António Vitorino de Almeida, Ana Luísa Amaral, Madalena Vitorino e Alexandre Quintanilha.
Em 2013 o mote e a diversidade de convidados permaneceram, o formato renovou-se: concentramos temporarlmente esta actividade num fim de semana e organizamos, sob a reflexão comum - O que pode a arte? O que pode o conhecimento? - cinco subtemas:
1 - Arte/Cultura, Economia e Programação | Augusto M. Seabra, Catarina Vaz Pinto, António Pinto Ribeiro
2 - Arte/Cultura e Educação | Luísa Veloso, Elisabete Paiva
3 - Arte/Cultura e as novas gerações de criadores | Alunos e ex-alunos da Academia Contemporânea do Espectáculo
4 - Arte/Cultura, os artistas e os outros | Lígia Ferro, Gil Teixeira, Maria Gil
5 - Arte/Cultura e Cidadania | Fátima Vieira, Álvaro Laborinho Lúcio